• Desarma

    - Em reflexos

    Armadura,
    Amarrada,
    Casca dura,
    Engessada,
    Carapaça pré-moldada.

    Não tem mais olho no olho,
    Ninguém mais confia na tua palavra.
    Então desarma.
    Teus desafios não são solitários,
    E só podem ser vencidos com gente do teu lado.

    Não existem verdades absolutas,
    Nada que não possa ser mudado,
    Troque o preconceito pelo diálogo,
    A farpa pelo recado,
    Ao medo, ofereça um afago.

    Não é credo
    Nem é cor,
    É rancor escancarado.
    Então desarma,
    E gorfa tua fúria pelo vazo sanitário.

    Sem preconceito,
    Mude onde lê os teus fatos,
    Combata essa realidade carrapato,
    O formador de opinião insensato,
    Escuta apenas a pedra no teu sapato.

    Não tem pódio,
    Nem formato,
    Disputamos um dinheiro inventado.
    Então desarma,
    Porque tá todo mundo no mesmo barco.

  • Projétil de Lei – Luiza Romão

    - Em maioridade penal, poesia, política

    Poesia e interpretação: Luiza Romão
    Direção e edição: Pedro Fávero

    brasil,
    tu te tornas eternamente responsável
    por aquilo que pões em cativeiro
    da febem ao navio negreiro

    sei que assusta
    perder seus privilégios
    somos o plano europeu que não deu certo
    alerto:

    reduzir a maioridade
    não é questão de segurança
    isso é genocídio de criança
    extermínio de classe
    do moleque roubar o passe
    tirar a bola
    é oferecer prisão e não escola
    tratar infância com escolta
    então solta
    larga o osso
    agora não tem almoço
    é fácil comer o pão
    e o diabo ser o outro
    mas vem do nosso rosto
    o suor de todos os dias
    brasil,
    tu quer ser gigante?
    então lembra do golias

    o poder gestado pelas mãos da minoria
    no país da escravidão
    ainda é branca a democracia
    é a bancada da bala
    e seus projéteis de leis:
    onde já se viu
    tornar-se adulto aos dezesseis?

    diga aí vocês:
    o país seccionado
    a fratura está exposta
    nossa bandeira não é a mesma
    nem durante a copa

    alienistas alienados
    querem o brasil-condomínio fechado
    têm sangue nas mãos
    e agora nos olhos
    mergulham a bíblia em poça de ódio

    sabe,
    meritocracia é fácil
    pra quem já nasceu no pódio

    por trás do discurso, investimentos:
    células transformadas em cédulas
    empresa de presos
    desprezo
    por qualquer matéria humana
    cunha, eu sei quem financia sua campanha
    quer tornar-se o novo franco da espanha?

    o jogo é certeiro:
    cercar a casagrande
    e pôr três porteiros
    mas, cuidado
    com quem coloca em cativeiro

  • Berlin – 1945 e hoje

    - Em fotografia

    Berlin - 1945 e hoje
    Fotos: Georgiy Samsonow / Fabrizio Bensch

    O jornal alemão Berliner Margenpost, criou uma sessão interativa contrapondo as fotos tiradas no pós-guerra pelo fotojornalista soviético Georgiy Samsonov com as imagens atuais do fotógrafo do Reuters, Fabrizio Bensch.

    O trabalho de Bensch para reconhecer os locais não foi muito fácil. Ele utilizou fotos aéreas, mapas antigos e até a lista telefônica para cruzar os dados. Como se não bastasse, precisava encontrar a perspectiva exata em que o soviético havia fotografado. Lindo trabalho.

    As contraposições foram feitas usando a ferramenta JuxtaposeJS.

    Dica do Leo Kasperavičius.

  • Debate de “Ética e vergonha na cara!” com Mario Sergio Cortella e Clóvis de Barros Filho

    - Em debates, filosofia, livros

    No lançamento do livro “Ética e vergonha na cara!“, o filósofo Mario Sergio Cortella e o professor Clóvis de Barros Filho abordam a questão da corrupção a partir de sua antítese filosófica, a ética. Mostram que a corrupção não é algo intrínseco a uma sociedade, nem natural e imutável como aparenta ser, mas sim uma escolha e, como tal, pode ser recusada e rejeitada através do comportamento ético.

    O debate faz parte do acervo de vídeos do Café Filosófico da CPFL Cultura.

  • 15ª reunião da CPI da Petrobras

    - Em câmara dos deputados, escândalos, petrobras


    Imagens TV Câmara

    A reunião teve como pauta a audiência pública para tomada de depoimento do ex-diretor de abastecimento da Petrobras, senhor Paulo Roberto Costa, através dos requerimentos nº 12, 86, 172 e 220/2015.

    Nas mais de 6 horas de duração da sessão, o depoente foi questionado pelos deputados e tentei destacar no post a seguir os trechos mais importantes.

  • Verbo Ser – Carlos Drummond de Andrade

    - Em poema

    Que vai ser quando crescer?
    Vivem perguntando em redor. Que é ser?
    É ter um corpo, um jeito, um nome?
    Tenho os três. E sou?
    Tenho de mudar quando crescer? Usar outro nome, corpo e jeito?
    Ou a gente só principia a ser quando cresce?
    É terrível, ser? Dói? É bom? É triste?
    Ser; pronunciado tão depressa, e cabe tantas coisas?
    Repito: Ser, Ser, Ser. Er. R.
    Que vou ser quando crescer?
    Sou obrigado a? Posso escolher?
    Não dá para entender. Não vou ser.
    Vou crescer assim mesmo.
    Sem ser Esquecer.

  • O Sal da Terra

    - Em cinema, documentários, fotografia


    Inspirador o documentário que mostra a trajetória do fotógrafo Sebastião Salgado. Num passeio pelos seus trabalhos em ordem cronológica, conta boa parte da sua linda história de vida, onde registrou os dramas e as emoções ao redor do mundo com o seu olhar único.

    O documentário apresenta também, a fascinante iniciativa de reflorestamento da antiga fazenda de gado de sua família, que se encontrava completamente degradada e hoje, pouco mais de uma década depois, abriga uma floresta rica em diversidade de espécies da flora de Mata Atlântica.

  • What Happened, Miss Simone?

    - Em documentários, música


    Estréia dia 26/06 no Nexflix, o documentário “What Happened, Miss Simone?” que conta a história da cantora, ativista e ícone black power Nina Simone. Além de imagens raras de concertos e suas mais memoráveis canções, diários e cartas, o documentário apresenta entrevistas com colegas e com a única filha da cantora, Lisa. O resultado é um retrato inesquecível de um talento tanto icônico como controverso.

    Direção e produção da indicada ao Oscar, Liz Garbus.

  • O delírio do verbo – Manoel de Barros

    - Em poema

    No descomeço era o verbo.
    Só depois é que veio o delírio do verbo.
    O delírio do verbo estava no começo, lá onde a criança diz: Eu escuto a cor dos passarinhos.
    A criança não sabe que o verbo escutar não funciona para cor, mas para som.
    Então se a criança muda a função de um verbo, ele delira.
    E pois.
    Em poesia que é voz de poeta, que é a voz de fazer nascimentos – O verbo tem que pegar delírio.

  • PSB e PPS confirmam fusão

    - Em PPS, PSB

    pps-psb
    Foto: Humberto Pradera

    via Jornal GGN

    Os presidentes dos diretórios nacional do PSB, Carlos Siqueira, e PPS, Roberto Freire, confirmaram nesta quarta-feira (29/04) que as duas legendas iniciam os trâmites burocráticos para viabilizar o processo de fusão. A aproximação entre os partidos teve como intermediário o ex-governador Eduardo Campos, morto em acidente aéreo durante a última disputa presidencial.

    O nome do novo partido ainda não foi definido, mas Siqueira sugeriu que a marca do PSB, “que está dando certo”, seja mantida. Ele destacou, entretanto, que o fato de o PPS ser relativamente menor não implica em subordinação. Freire, por sua vez, reduziu essa questão e disse que o foco está no “surgimento de um novo partido da esquerda democrática”.

    Vamos começar as tratativas para nos fundirmos e organizar o novo partido, juntando duas siglas que têm uma história em comum. É algo importante para o país. Precisamos construir isso, até porque a democracia brasileira, com toda essa crise conjuntural, precisa de um instrumento, de atores que apontem caminhos e rumos para um futuro melhor.

    O PPS integrou a coligação capitaneada pelo PSB na última eleição, quando Marina Silva – ainda sem a Rede Sustentabilidade – concorrer à Presidência em substituição a Eduardo Campos.

    Desde a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT), as legendas caminhas juntas no Congresso Nacional, na maioria das vezes fazendo oposição ao governo, em aliança com o PSDB de Aécio Neves. Pesquisa interna do PSB havia sondado, inclusive, a possibilidade de fusão com partidos declaradamente de oposição, como o DEM.

  • Deputados aprovam projeto que dispensa símbolo da transgenia em rótulos de produtos

    - Em câmara dos deputados, PL 4148/08, transgênicos


    Imagens TV Câmara e Reportagem Agência Câmara Notícias

    O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou ontem (28/04) o Projeto de Lei 4148/08, do deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS), que acaba com a exigência do símbolo da transgenia nos rótulos dos produtos com organismos geneticamente modificados (OGM), como óleo de soja, fubá e outros produtos derivados.

    A matéria, aprovada com 320 votos a 135, na forma de uma emenda do deputado Valdir Colatto (PMDB-SC), deve ser votada ainda pelo Senado.

    O texto disciplina as informações que devem constar nas embalagens para informar sobre a presença de ingredientes transgênicos nos alimentos. Na prática, o projeto revoga o Decreto 4.680/03, que já regulamenta o assunto.

  • Celebração da voz humana – Eduardo Galeano

    - Em literatura

    Tinham as mãos amarradas, ou algemadas, e ainda assim os dedos
    dançavam, voavam, desenhavam palavras. Os presos estavam encapuzados; mas
    inclinando-se conseguiam ver alguma coisa, alguma coisinha, por baixo. E embora
    fosse proibido falar, eles conversavam com as mãos.

    Pinio Ungerfeld me ensinou o alfabeto dos dedos, que aprendeu na prisão
    sem professor:

    – Alguns tinham caligrafia ruim – me disse -. Outros tinham letra de
    artista.

    A ditadura uruguaia queria que cada um fosse apenas um, que cada um
    fosse ninguém: nas cadeias e quartéis, e no país inteiro, a comunicação era delito.
    Alguns presos passaram mais de dez anos enterrados em calabouços
    solitários do tamanho de um ataúde, sem escutar outras vozes além do ruído das
    grades ou dos passos das botas pelos corredores. Fernández Huidobro e Maurício
    Rosencof, condenados a essa solidão, salvaram-se porque conseguiram conversar,
    com batidinhas na parede. Assim contavam sonhos e lembranças, amores e
    desamores; discutiam, se abraçavam, brigavam; compartilhavam certezas e belezas
    e também dúvidas e culpas e perguntas que não têm resposta.

    Quando é verdadeira, quando nasce da necessidade de dizer, a voz
    humana não encontra quem a detenha. Se lhe negam a boca, ela fala pelas mãos,
    ou pelos olhos, ou pelos poros, ou por onde for. Porque todos, todos, temos algo a
    dizer aos outros, alguma coisa, alguma palavra que merece ser celebrada ou
    perdoada.

    Livro dos abraços (p. 15)

  • Marta Suplicy anuncia a sua desfiliação do PT

    - Em política, PT


    Em vídeo publicado agora pouco na página da senadora, ele comenta a sua saída do Partido dos Trabalhadores:

    Eu ajudei a fundar o PT há mais de trinta anos. E me orgulho de ter lutado para melhorar a vida dos brasileiros mais pobres que nunca tiveram chance neste país. Mas o PT acabou se desviando do caminho certo e se contaminando com o poder. Eu quero dizer hoje a vocês que eu não me desviei dos valores que meus pais me ensinaram e que eu ensinei aos meus filhos. Que eu não me desviei da luta por um país mais justo. E que por essas razões, eu deixo hoje o partido. Não para desistir do caminho que iniciei há trinta anos. Mas para continuar a segui-lo.

  • Curta-metragem: Quando parei de me preocupar com canalhas

    - Em cinema, curta-metragem, política


    Em meio a uma crise política, João Carlos termina seu relacionamento com Luci. Apesar de ter acreditado ser um cara consciente, começa se dar conta que na verdade vive submerso aos repetitivos clichês dos taxistas da cidade: reclamar e, de quebra, tentar se dar bem em cima de um cliente. Enquanto esse fantasma o persegue, sua crise pessoal o leva ao fundo do poço. No entanto, um surto de lucidez faz com que ele tome a decisão mais importante de sua vida. Se alienar.

    O filme Quando parei de me preocupar com canalhas é um curta-metragem de ficção, baseado no quadrinhos de Caco Galhardo que foi publicado na revista Piauí, em 2008.

    O curta é dirigido por Tiago Vieira e conta no elenco com Matheus Nachtergaele e Paulo Miklos. O projeto foi financiado integralmente via Catarse.

  • Deputados aprovam projeto que simplifica pesquisas com biodiversidade

    - Em biodiversidade, câmara dos deputados, PL 7735/14


    Imagens TV Câmara e reportagem Agência Câmara Notícias

    O Plenário da Câmara dos Deputados concluiu hoje (27/04) a votação do projeto de lei da biodiversidade (PL 7735/14, do Poder Executivo), que simplifica as regras para pesquisa e exploração do patrimônio genético de plantas e animais nativos e para o uso dos conhecimentos indígenas ou tradicionais sobre eles.

    Foram aprovadas 12 das 23 emendas do Senado ao projeto e a matéria será enviada à sanção presidencial.

    A principal emenda aprovada proíbe empresas sediadas no exterior e sem vínculo com instituições nacionais de pesquisa científica e tecnológica de conseguir autorização para acesso ou remessa ao exterior de patrimônio genético ou de conhecimento tradicional associado.

  • 50 anos da Globo. O que comemorar?

    - Em pig, rede globo, televisão

    A lista de manipulações jornalísticas de seus 50 anos de história vão desde o apoio a ditadura militar – a que chamou de “Revolução”, a omissão do comício que reuniu milhares de pessoas na Praça da Sé que pedia as Diretas Já, a manipulação do debate Collor x Lula em 1989, até os dias de hoje com o excessivo destaque de algumas manifestações em detrimento de outras, por exemplo.

    Uma rede que noticia o que quer e dá destaque ao que bem entende não pode ser vista como democrática. Uma concessão pública não pode servir para a defesa de interesses comerciais e o monopólio midiático, ao invés do jornalismo sério e honesto.

    Abaixo coloco uma compilação de vídeos que devem ser assistidos para que entendam um pouco melhor os fatos dessa história nefasta.

    O primeiro é um documentário de Simon Hartog, chamado Beyond Citizen Kane (Muito Além do Cidadão Kane) exibido em 1993 pelo Channel 4, emissora pública do Reino Unido. O documentário mostra as relações entre a mídia e o poder do Brasil, focando na análise da figura de Roberto Marinho.

  • Sessão Solene em Homenagem ao Dia do Índio

    - Em dia do índio, PEC 215/00, sessão solene

    Imagens TV Câmara

    Com plenário cheio, ocorreu na quinta-feira passada (16/04) a sessão solene em Homenagem ao Dia do Índio na Câmara dos Deputados.

    Nos pronunciamentos, o foco foi o repúdio à PEC 215/00 do ex-deputado Almir Sá que retira do executivo e passa para o legislativo a aprovação a demarcação das terras tradicionalmente ocupadas pelos índios, ratifica as demarcações já homologadas e que estabelece que os critérios e procedimentos de demarcação serão regulamentados por lei.

    Antes de iniciar a sua fala, a coordenadora da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), Sônia Guajara, pediu para que os deputados “retirassem seus paletos e vestissem a camisa contra a PEC 215”. Em seguida, chamou a atenção para a aprovação do PL 7735/2015 – que dispõe sobre o acesso ao patrimônio genético, a proteção e o acesso ao conhecimento tradicional associado, a repartição de benefícios para conservação e uso sustentável da biodiversidade – dizendo que as únicas partes ouvidas foram as indústrias farmacêuticas e cosméticas, citou ainda o PL 1610/96 que trata da mineração em terras indígenas e o PLP 227/12 que juntas, representam o atraso do legislativo e o extermínio dos povos tradicionais.

    Que ameaça nós representamos a esse país? Não podemos permitir que a ganância, que o agronegócio e que o capitalismo sejam maiores que as nossas vidas. Não podemos permitir que os seus interesses próprios, sejam maiores que o respeito à população e aos povos originários desse país. Ao longo desses 5 séculos, o que nós povos indígenas fazemos, é garantir a permanência da cobertura vegetal e a água limpa desse país, contribuindo com o planeta, o equilibrio ambiental e o bem viver de toda a humanidade. É isso que fazemos para o planeta…

    Em seguida, Sônia chamou o cantor Chico César que interpretou sua composição chamada Reis do Agronegócio (assista o trecho abaixo), onde crítica e denúncia a atuação da Bancada Ruralista, a quem chama de “Pinóquios Velhos”.